Todos os dias
de tardezinha
ou de manhã cedo,
ele desce os degraus
da escada do porto.
Lá está ele sentado
na cabeceira do trapiche.
Quem é?
O que será ele tá fazendo?
Sei lá...
Será pra ver
a maré subir e descer?
Ouvir o barulho
do barranco caindo?
Não sei...
Tá de frente
aquela vara infincada
que dança na subida
[d'água.
Lá vem o barco...
Ah! O barco
nem encosta mais.
Ele nunca vai...
Ele não acena,
ele não grita.
Só fica lá sentado
balançando a perna
que nem um abestado.
Não tem medo de cair?
Aquele trapiche
já tem tábua podre.
De tanto menino pular
foi soltando as tábuas
do esteio.
Não adianta nem falar.
Aqueles atentados não param.
Levantou...
Pode prestar atenção
amanhã é de novo....
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