Lá fora o dia chora
E parece sentir
O que acontece aqui dentro
O céu escondeu-se
O sol não quis brilhar
Chove fino sobre os velhos telhados
E o silêncio escorre frio
E cai sobre as calçadas
Molhando o poeta
Que sentado faz
A rima incompleta
De um poema que não quer terminar...
Até onde chegaremos
Indo tão longe assim?
O que conseguiremos ver
Do alto de nossa própria roda gigante?
E chegou o ponteiro
Onde um dia teria que chegar
Continua cansado
Mas sem parar...
Outro dia,
Algo tão comum assim
Noites quentes como as manhãs enfim
Teu sorriso,
Um abrigo mesmo aqui.
Abro a porta,
Já é hora de partir.
E dos teus olhos a força que me fez seguir
Além desses muros que choram
Cegas lágrimas num disfarce de sorrisos sem amor
Outro dia,
Algo tão comum assim
Noites quentes,
Onde estás enfim?
Teu sorriso já não está aqui
Abro a porta,
Para onde devo ir?
Ás vezes é tarde demais acabou.
Não há mais como voltar atrás
E tudo aquilo que você conquistou
Ficou jogado.
E no peito a dor
De ter pedido a força e o amor.
De está sozinho
E não saber como continuar.
Eu não a conheço mais
Nunca conheci
Senti meu coração batendo forte
Pareceu medo...
Eu fui um estranho em pé na calçada
Um alguém sem nome
E sem saber o que fazer.
E o trem partiu
E eu não sorri mais
Não cantei, não sonhei,
Não a vi,
Não escrevi...
Em circulo,
Molha a grama
E a calçada quente
De uma tarde de setembro
Sem esperança...
Me deixa tonto.
Que impaciência é essa que me corrói?
Não me deixa espaço
E me faz voltar no tempo
Como se os anos fossem dias
E os teus lábios fossem meus.
As minhas palavras...
Tudo o que eu falo não me pertence mais
Meus pensamentos, meus sonhos...
O castelo dos meus sonhos
Que pareceu desabar
Ainda é miragem no meu mundo
E tão real
Que abro a porta
E entro novamente em casa...
No meu quatro
Há livros e poemas espalhados.
Lençóis desarrumados...
E o sol entra pela janela
É hora de acordar
Mas eu me perdi hoje
Das horas e do lugar...
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