
agora procuro nos escombros
algo que me lembre você
uma foto, aquela tarde...
era segunda dezesseis
você me convenceu subir
e eu nunca achei
que olhar lá de cima
fosse tão lindo...
você merecia tudo
mas escolheu voar.
a noite chegou
clara, com a lua feliz,
mas dormiu calada,
sem dizer adeus...
e o velho farol que seguia
no mesmo compasso
guiava os barcos
pra beira do cais,
que ainda está lá
sozinho como o por do sol
que nunca mais foi tão lindo
depois das asas do teu voou...
escrevi nosso nome na arvore
do bosque que secou no verão
onde as folhas caladas adubam
tentanto sobreviver
os galhos que quebram o silêncio...
o banco ainda sobrevive
sozinho de uma noite sem você e eu
e mesmo a companhia dos pássaros
que semeiam as ervas
que brotam na noite e secam no dia
não o deixam feliz
porque ainda está lá
gravado com a chave...
Por uma dessas ruas ouvindo música
me embalo em pequenas ondas
do rio perdido nas falhas
e sinto o vento bobo
brincando com as folhas
do "cacual" do sítio...
queimadas no fogo
dos maiores angulos...
moleques de sandalhas nas mãos
correm mais rápidos...
e esquecem dos riscos
que não formam desenhos
de cor...
|
|
||||
|
||||
|
|
||||
|
||||